sábado, 21 de julho de 2012

Pedaço de Caracol

Mesmo que a voz fique rouca,o peito lotado e a boca calada,
o olhar me derrota.
A mão fria, a coberta que tampa a dor que já foge em um pé sem meia.
O frio tem nome.

Vejo que o tempo corre por cima de mim e pula, derrubando-me com as mãos no pescoço.
Um golpe perfeito.
Onde só percebo a dor depois de bater a cabeça no chão.
Não há mais cobertores.

Não mais remédio para um fígado afetado.
Não há mais tempo.
Não há mais remédio.
Não houve nem se quer um pedido de desculpas.
Houve tristeza,eu ouvi o pecado.
Quando ergo a mão para vê-la pela manhã checo se todas as unhas ali estão.
Dedo a dedo.Olho para cima.Fecho-me,guardo-me debaixo dos lençóis.

Tenho medo, de perder o ego e esquecer de mim.
Se fecho a mão vejo o anel.
Isola-se o frio, perde-se o tempo.

Lembra-te de mim?





terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma flor caiu na Avenida Paulista.

O tanto que piava
O peso que calava
O peito que já inchado
Em penas brancas, se explodiu.


O dia em fuga contou pra Terra 
Que uma vitória-régia do céu ia chegar.

O pássaro surpreso, 
planejou a rota,correndo insano
pôs se a voar.
Voou manso criou asas
E assustado, viu a imensidão.

A bela flor que vinha de marte,
brilhava estrelas e tinha cor.
Olhou por cima a vitória-régia
Linda e colorida desabrochou.

Em cor-viva caiu pairando num rasar bem fundo,se apaixonou.
Vibrou de medo, surpresa flor que este mundo nunca avistou.
O pássaro branco queria roubar a cor,o amor, o fogo olhar.

A terra seca pediu ajuda,
a flor já murcha encostou no chão.
A pena caiu com  o grito inconstante do silêncio que o bico inconstante calou.

A flor já  murcha encostou farta
Sem Marte, se esconde no pano que cobre todo esse chão.

Secou seu brilho
 e repousou fria
 nas cores já acinzentadas que queriam descansar.

O pássaro amoleceu o corpo,
Soltou seu bico,
pairou sem pressa e pôs se a chorar.
Fechou os olhos,sem cor e mudo tão triste canto logo piou.
Do céu caia
Aquele brilho,sereno pássaro,sereno amor.
Tua cor, teu canto, teu fim, 
Tua pena,
O choro que lava a tua dor.




quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Pedaço de capacete

Salve.
Solta.
Os dedos que acarinham sua face.
Lembre.
Lamba. Todo o mel que já caiu de mim.

Tampe,ranque!
Esse peso que já se chama amor.
E então fique
Fite.
Meus olhos que já são calombos:
pretos louros avermelhados e sem piscar.

O imaginário rasga meu conto de fadas, e em alguma coisa posso pesar;

Não fumo, não tenho amigos.
Só à Ti culpo sem graça, com raiva, de ser quem eu sou.
Por que me amas tanto assim?

A beleza tem seu jogo de verdades e veracidades já me rancam pela cabeça, o ar!

A diferença entre eu e você é que somos dois.

Não somos um unidos um ao outro.
Somos juntos,tudo que se pode salvar.

Somos tudo.
Tudo em papel branco e em letras grandes que se chama AMOR.

A atualização dos dados está concluída,e o sistema parou,travou em meio ao caos.
Meu porto é bloqueado por minhas feras.

E é nesse mar que eu quero me jogar.

Subir à superfície,ar! AR! AR!