sábado, 29 de agosto de 2009

Coração de carnaval: poema ao desconhecido.

  1. A vida, é, por si só, um encanto sem tamanho.
  2. Sim um poço, um atalho sem estrada, um mirante sem sol e talvez até um barco sem tripulação ou serviçais de último escalão.
  3. Meu desejo e ânsia são duas coisas diferentes, dois tempos presentes ou talvez dois tipos de amor.
  4. Nada me refiro ao teu gesto cauteloso de orgulho e sua manifestação de grande roda.
  5. Só sinto que o frio em minhas mãos, em tardes de outono ou mesmo de inverno, detêm a maior parte da minha angústia.
  6. Em noites me deleito sonolenta, e em fantasias te digo que talvez não seja problema maior te explorar em algumas linhas ou poemas, que me dizem que os meus olhos ou tuas mãos tossem gestos e atos que em reverências de amor próprio, não cabem mais em parte de mim.
  7. Talvez caiba, em outra.
  8. Talvez no irracional do palco aberto se atemparem, ou talvez depois de 6 anos de amor, tudo que sinto por ti seria loucura desmascarada, se não me refizesse deitando ou pensando em ti.
  9. Cubro-te sempre de uma ânsia estrondosa qualquer, em noites ou dias de vontade.
  10. Vadia. Vadia insanamente o meu calor.
  11. A minha serenidade já não tem mais 9 anos de idade primaveril.
  12. Meio cansada, mórbida pede que encante meus olhos com palavras penetrantes e me veja como seu castelo.
  13. Me rodeie,
  14. Me proteja cavalheiro. Me guarde, reja e ilumine.
  15. Porque em ti sou calma mas já longe sou fogo que arde.
  16. E então longe de ti ,já em partida, comedido egoísmo covarde de uma alma sem ego.
  17. Ismo? Sou encontro de mar, de água e fogo de rio.

E assim quando o mar se vê em chamas e o fogo se vê pálido, o lado profundo torna-se superfície e a pele revela partes escondidas,no fundo do mar do meu extremo oceano.

sábado, 22 de agosto de 2009

Morning water(Ela não havia ligado,18 de Agosto.)

 

Dois pares de olhos verdes.

Um canal.

Mais de três razões para finalizar aquele caso.

Era 3 de novembro, e ele não queria por razão nenhuma levantar daquela ressaca.

O mormaço o acordou com sede. E ele não quis nem abrir os olhos.

Dormiu de novo.

Acordou, pegou um livro ao lado e começou a ler o verso,reverso da primeira página.

A preguiça consumiu cada trocar de palavras.

Ele não sentia se quer tristeza ou fome, mesmo depois daquela noite palpitante.

Se quisesse amor levantaria dali.

Uma hora e meia de discussões seguidas de cansaço mental,2 doses de choros intensos entre soluços e gritos e um bater de porta pulsante que ainda estavam em seus ouvidos.

- Por que brigar?

- Por que brigar?

- Por que cansar e cansar e cansar de se impor?

Ele não tinha mais forças, nem para o recomeço ou um simples desculpar com chocolate e abraços.

O dia estava quente, e os lençóis frios como o seu desejo.

Ela não havia ligado.

Ele não ligou, e só compunha listas do que fazer para o mês de maio.

Já era 11 de maio.

Ele acordou e se levantou.

Sentiu o mormaço o acordar com sede, e ele abriu os olhos rapidamente.

Listas para o supermercado

Listas para a casa de ração

Listas para o Excel

E postais e cartas acumulados em uma gaveta.

Passou as férias de dezembro com ninguém, mas no natal foi finalmente visitar a família.

"- Visitar a família é como comer panquecas doces "dizia ele: "É bom, mas se insistir demais em visitar, acaba passando mal , e muito mal."

A pior parte foi visitar a família.

Perguntas incessantes sobre Anabelle viam de todas as idades.

Ele respondeu calmamente a cada uma delas, mas sentiu-se esgotado de responder assim como quem quebra um braço ou perna. Todos perguntaram : o que houve?

E assim, passou 1 semana e meia.

E enfim voltou para casa com as energias repostas. Somente o mormaço do Rio de Janeiro que ainda não havia partido.

Sentiu saudade do ventinho fresco, doce e sem cheiro de maresia de Minas Gerais.

Queria Bella...

Queria tanto que ligou.

Finalmente ele ligou.

- Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagens e estará sujeita a cobrança após o sinal.

Ele sentou na cadeira da mesa da sala de estar.

Fechou o celular.

E chorou.

Depois dormiu cansado, murmurado, e derramado em lágrimas num lençol molhado de lágrimas,e baba, retratando a saudade de Bella.

Ele era um homem.

Ela não aceitou a traição repentina, casual e moderna.

Princesa de fios d’ouro, lábios finos e maças do rosto que Antônio entitulava como sendo dele.

Depois de alguns meses, depois de algum tempo, ela se curou, mudou, freqüentou terapias, missas, yoga, e aumentou significamente sua rede social. As missas eram realmente um refúgio para tudo que havia passado.

Foram 3 anos de amor.

Um mundo.

Um cair da cama aonde se bate o bulbo e se quebra pelo menos 2 costelas por mal jeito.

Depois de algum tempo, ela se curou, mudou...

Depois de algum tempo, ele descobriu que amou.

Ela já não temia mudanças e mudou.

Ele continua naquela cama.

Manhãs de mormaço com noites de carnaval.

Ressaca,

E olhos de saudade.

Assim sendo,canção do exílio.

sábado, 8 de agosto de 2009

Antropóloga.

A pista estava vazia quando eu cheguei.

Ele se alongou apoiando-se as vezes em uma árvore de coqueiro perto dali.

Aparentava uns 30 anos.

Cabelos lisos, porém um pouco cacheados, magro, musculatura definida.

Um short fino de tectel para correr.

Sem camisa.

Tênis branco, com detalhes em azul claro.

Pouco a pouco seus colegas de treino iam chegando.

Enfim chegou o treinador, de conjuntinho cinza. Bem que parecia com o meu.

Assim como ele todos se alongaram perto da pista.

Corriam 3 vezes por semana, eu também.

Não sabia quem eram, nem de onde vinham, mas gostava do conjunto ambiental ali presente:

- Terra úmida com asfalto por cima, pista circular e distração motivadora.

Até hoje vou nos mesmos horários, meus horários adaptados as minhas vontades.

Eu com meus 22 anos de idade, posso tudo.

Flertar somente com o balançar dos ombros e troca de olhares, mais por parte deles porque não uso óculos enquanto corro, toda pista, consigo visualizar perfeitamente não detalhes de longe, mas todo o conjunto.

Me formo ano que vem em Antropologia na UFF.

Talvez deixe um cartão com o treinador.

Com 3 ou 4 unidades extras.

“ Depois do amor.”

Ele disse que os homens só pensam em sexo.

Os cachorros foram trocados por pássaros no canteiro de terra do portão de entrada da UFF. Eles estariam de férias, ou os pombos talvez comera-os.

As aulas foram adiadas naquela semana de pura ressaca, emocional.

Agora eram 2 semanas a mais de férias, menos para ele.

Os olhos eram castanhos.

E ele queria estar de volta à casa.

A namorada ainda não voltara, e ele já não sabia quando iria ao supermercado do preço-preguiçoso.Voltaria ele, de longe, com 20 quilos amassados em sacolas plásticas?

Não. Comeria salsichas outra vez.

Já não fazia tanto frio e Manuelle já queria um novo amor, sofria in primavera.

Não queria viajar, não queria dormir e corria, esquecendo a saudade pelos pulos.

Só corria do amor.

Socorria.

O professor dele disse que homens só pensavam em sexo. E depois do sexo viria enfim, o amor.

Literatura em realismo.

Ela sonhou que estava sendo traída de baixo dos panos, e odiou estar se doando mais do que ressentia ser doada.

Sem férias. Ela e suas pernas só queriam despertar.

Ele mandou um cartão-postal dizendo que os olhos de Manu brilhavam mais que qualquer estrela em lua nova.

Um abraço.

Um beijo.

Tentar a tal modo que ressurgisse um grão de amor daquele lençol freático que se escondia nos lábios dela.

Ressurgia, notava, e talvez ignorava qualquer grão mutante, abortivo.

Ela corria.

Ele se mudou.

Manu com olhos brilhantes, de saudade, de ressaca, lia livros sobre perdas.

"A primeira e mais sofrida perda é a do útero pelo bebê. Não nos lembramos da nossa estadia no mesmo, mas sofremos inconscientemente por ter sofrido essa perda.

Não temos lembranças conscientes da nossa vida no útero - nem de como o deixamos. Mas um dia foi nosso e tivemos de abandoná-lo .E embora o jogo cruel de desistir do que amamos, para crescer, seja repetido a cada novo estágio de desenvolvimento, esta é a nossa primeira e talvez a mais difícil renúncia.

A perda, o abandono, a desistência do paraíso.

E embora não nos lembremos, também jamais esquecemos.

Reconhecemos um paraíso e um paraíso perdido.

Reconhecemos um tempo de harmonia, de integração total, de segurança inviolável, amor incondicional...e um tempo que essa integração foi irrevogavelmente rompida . "..."

"Desejamos também recapturar o paraíso perdido daquela conexão perfeita."

 

Ás vezes, momentos fugazes – momentos de êxtase por exemplo, voltemos àquela integração, embora só algum tempo depois. "Depois do amor."

Ela queria se divorciar várias vezes, aprender com o amor.

Não que o amor estivesse que estar presente antes, em cada relacionamento em tempo integral, ou em cada mesa de refeições, mas sim no amor final.

Um amor que ela talvez, no último momento, no último dia, percebesse que passou. Passou.

Como páginas de um livro interessante.

Manu queria um amor idealizado.

Inconstância em mudar.

Um amor que até mesmo os literatos que o criaram criticassem seu desejo, por ser tão idealizado.

"- E afinal, por que não poder sonhar com um amor (ideal) assim como eu tive nos meus primeiros dias? Original e primitivo. Entre eu e o Sr. Útero.

Integração perfeita e simbiótica, aonde a parte egoistamente suprida era eu.

Integração que era fifty-fifty.

Jurava amor em troca de proteção.

Depois tive que partir e você morreu por mim placenta!

Ou eu a matei? "

Manu não queria estar sozinha, por mais tempo que o mundo criasse.

Ela aprendeu desde cedo que esperar calada, inquieta por dentro,(mas com expressões corporais intactas negando expressamentos) era posse de virtude.

Amar ou deixar de sofrer?

Sentir saudade triste ou esperar por ânsia curta e fiel?

Seria fiel o amor nu? - Seria eu?

O amor que ela tanto dizia ser expansivo, grande e vasto, e que era inocentemente original...

Seria?

Se sentia assim, fifty-fifty. Jurava amor em troca de proteção e companhia.

Ela vivia assim. Se via assim. Imutável.

A saudade já era distração. E os cachorros da UFF voltaram de férias pouco a pouco.

Descobrira que eles haviam arrumado um canto, comida e abrigo, na mecânica perto dali.

Ela viu que cada coisa têm seu lugar.

Fingiu entender todo esse lance de amor simbiótico.

Assim corria de aventuras, se escondia por de trás dos panos.

Vozes.

Se expandia em abraços e beijos de outros homens.

"Tentar a tal modo que ressurgisse um grão de amor."

"Esse estado ideal, esse estado sem fronteiras, esse sou-você-você-sou-eu, esta "fusão harmoniosa interpenetrante", esse "Eu estou no leite e o leite está em mim", esse isolamento à prova de frio, de solidão e das intimações da imortalidade. Uma condição conhecida por amantes, santos, psicóticos, viciados em drogas e bebês. É o que chamamos de bem-aventurança.

Nosso desejo eterno de união, dizem alguns psicanalistas, dá origem ao nosso desejo de volta. – de volta senão ao útero, pelo menos ao seu estado de união ilusória chamada simbiose, um estado pelo qual ,bem no fundo do inconsciente original e primitivo que todo ser humano anseia."

 

Ser amado, ser humano e não sozinho,

Ser amado, ser humano, depois do amor.